quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cinquenta anos hoje Ben Hur

Há exatos 50 anos, em 18.nov.59, em New York (não à toa, pois na cidade moram mais judeus que em Israel), rolou a première do épico "Ben-Hur", de William Wyler, protagonizado por Charlton Heston no papel de um aristocrata judeu que é traído por seu amigo romano. Uma semana depois ocorreu a première em Los Angeles. Exemplo de cinema artesanal, os 212 minutos do filme foram gravados durante nove meses, nos estúdios Cinecittà, em Roma, e uma das cenas mais famosas da história do cinema — a corrida de bigas que provoca a derrota de Messala (Stephen Boyd), amigo de infância de Judah Ben-Hur — foi filmada em três meses (na tela dura 20 minutos). O filme contou com uma equipe de oito mil figurantes, mais de 300 peças de cenário e cem mil de figurino. "Ben-Hur" faturou US$ 75 milhões e salvou da falência a Metro-Goldwyn-Mayer, que arriscou na sua produção US$ 15 milhões, quantia recorde na época.
Foi o filme que primeira vez ganhou 11 Oscars, a mesma quantidade conquistada depois por "Titanic" (1997) e "O retorno do rei" (2003), da saga "O senhor dos anéis". Rendeu o Oscar de melhor ator a Heston e de ator coadjuvante a Hugh Griffith (como o Sheik Ilderim), além de ter recebido o prêmio pelas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor direção artística a cores, melhor fotografia, melhor figurino a cores, melhores efeitos especiais, melhor montagem, melhor trilha sonora e melhor som.
Curioso é que na fase de casting o papel principal foi oferecido a Paul Newman, Burt Lancaster e Rock Hudson. Todos rejeitaram a oferta. Newman porque não conseguia se imaginar em uma túnica, Lancaster porque era ateu e não queria ajudar a promover a Cristandade, e Hudson quase aceitou, até que seu agente chamou sua atenção ao subtexto homossexual na relação entre Ben-Hur e Messala, o que poderia colocar a sua carreira em risco (como se soube depois, o galã era gay, mas naquela época isso não era aceito pelo grande público).
Outra curiosidade é que entre os figurantes trabalhou o ator Giuliano Gemma (numa cena em que Ben Hur está nas termas), cujo nome não apareceu nos créditos e anos depois, na década de 60, com o boom dos spaghetti western (faroestes produzidos na Itália, em sua maioria rodados na Espanha, na região da Almeria, parecida com o Oeste americano) cansou de ganhar dinheiro interpretando "mocinhos", sendo que o mais famoso deles foi o papel título em "Ringo não perdoa... mata!"

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