quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nürburgring, 1957: o último brilho de Fangio

Às vésperas do GP da Alemanha a se realizar no próximo domingo, 24 de julho, no autódromo de Nürburg (Nürburgring), entre Frankfurt e Colônia, muito se tem comentado a respeito da tradição que envolve o local desta etapa da F1. De 1951 a 1976, Nürburgring foi a pista que sediou a etapa alemã da categoria, com exceção de 55 e 60, quando não houve corrida oficial, e 59 e 70, quando a prova foi realizada em Avus e Hockenheim. Naquela época, os pilotos corriam no estreito, desafiador e perigosíssimo traçado de 22,8 km de Nordschleife e Juan Manuel Fangio - o "Manco de Balcarce" conhecia como ninguém os segredos do “Inferno Verde”.

Por isso, relembramos hoje a última e, possivelmente, melhor vitória da carreira do pentacampeão na F1, em 1957. Naquele ano, Fangio competia pela italiana Maserati e dominava o campeonato com três vitórias em cinco etapas oficiais. Porém, na Alemanha, as Ferrari de Mike Hawthorn e Peter Collins se mostravam muito competitivas.

No treino classificatório, Maserati e Ferrari intercalaram a primeira fila (que era formada por quatro carros), com Fangio, Hawthorn, Jean Behra - companheiro de Juan Manuel – e Collins. As Ferrari largaram melhor e assumiram as duas primeiras posições, com Fangio em terceiro. Como seu carro possuía um tanque de combustível menor, o argentino teria de fazer um reabastecimento durante a prova e precisava ultrapassar a dupla e abrir vantagem para ter chances de terminar à frente.

Durante a terceira volta, o então tetracampeão deixou para trás os ferraristas e começou a abrir vantagem, quebrando o recorde de volta mais rápida em Nordschleife seguidas vezes. Da terceira à 11ª passagem, Fangio abriu 28s dos rivais, o que ainda era insuficiente para mantê-lo na liderança após a parada. Mas o argentino não tinha escolha e procurou os boxes, para uma bizarra sessão de pitstop, já que, naqueles tempos, o piloto saía do carro para que os mecânicos trabalhassem.

O responsável pela troca do pneu traseiro esquerdo teve problemas em soltar a porca da roda, o que custou quase 30s no tempo total de parada. Fangio retornou à pista 45s atrás de Hawthorn, que, comboiado por Collins, já devia dar como certa a vitória. Mas Fangio iniciou uma incrível e quase suicida reação, andando no limite pelas traiçoeiras curvas de Nordschleife por nove voltas seguidas. A cada giro, o recorde da pista era baixado em média de 2s a 3s e a distância para a liderança caía de 5s a 8s. Na 20ª de 22 passagens, Fangio cravou 9min17s4, tempo que era 23s2 mais rápido que a melhor volta registrada no ano anterior.
Nessa mesma volta, o argentino ultrapassou pela segunda vez os adversários da Ferrari e garantiu a 24ª e última vitória na carreira - a terceira em Nürburgring -, e o seu quinto e derradeiro título mundial da F1. Foi o último e talvez maior momento de brilho de um dos maiores nomes da história do automobilismo.

Juan Manuel Fangio (Balcarce, 24.jun.11 — Buenos Aires, 17.jul.95) correu 51 grandes prêmios na Fórmula 1, obteve 24 vitórias, 29 pole positions, 23 recordes de volta, cinco títulos mundiais (1951, 1954, 1955, 1956 e 1957) e dois vice-campeonatos (1950 e 1953) em oito temporadas que disputou. Fangio correu em quatro escuderias: Alfa Romeo (1950-1951), Maserati (1953-1954), Mercedes (1954-1955), Ferrari (1956) e Maserati (1957-1958). É o único piloto da história da Formula 1 que foi campeão com quatro escuderias diferentes: Alfa Romeo, Maserati, Ferrari e Mercedes-Benz. Fangio tinha o apelido "El Chueco" (O Manco), que recebeu em partidas amadoras de futebol, por ter as pernas arqueadas. (Colaboração de José R.C.B.)

Veja um trecho (4min18s) da histórica corrida de Nürburgring, 1957, no YouTube, clicando ► AQUI ◄

Um comentário:

Eros santos disse...

Linda postagem!!!!!
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Abraços